De Fatboy Slim e Steve Angello a ANNA, John Summit e uma noite comandada por Alok, palco reúne diferentes gerações da dance music durante os sete dias de festival
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Nazen Carneiro, exclusivo para o tudobeats
O Rock in Rio 2026 terá música eletrônica em todos os seus sete dias. Entre 4 e 13 de setembro, o New Dance Order reúne artistas brasileiros e internacionais de diferentes gerações, passando pelo big beat de Fatboy Slim, pela escola que projetou Steve Angello, pelo techno de ANNA e pela atual expansão global do house representada por nomes como MEDUZA e John Summit. Fora dali, Alok amplia essa presença ao ocupar também o Palco Mundo com um espetáculo próprio.
A programação coloca a música eletrônica em posição transversal dentro do Rock in Rio. Se o New Dance Order funciona como território específico para a cultura de pista, a presença de Alok no Palco Mundo e de Calvin Harris como headliner do mesmo palco em 6 de setembro mostra como o gênero também ocupa o núcleo mainstream do festival. A edição acontece nos dias 4, 5, 6, 7, 11, 12 e 13 de setembro, na Cidade do Rock, no Parque Olímpico, na Barra da Tijuca.
O próprio New Dance Order chega reformulado. O palco terá 56,5 metros de largura, 22,5 metros de altura e 502 m² de painéis de LED, em uma nova cenografia construída para integrar som, iluminação e conteúdo visual. Mais do que aumentar sua escala física, a mudança reforça o espaço dedicado à música eletrônica dentro da arquitetura do festival.
O line-up segue a mesma lógica de amplitude. Há artistas ligados a diferentes momentos da expansão da dance music — Fatboy Slim, Steve Angello e ANNA — ao lado de nomes que representam movimentos mais recentes do house, tech house, Afro House e melodic house. A presença brasileira é igualmente significativa, com Cat Dealers, Victor Lou, Volkoder, Aline Rocha, Bhaskar, Illusionize, Maz, Antdot e diversos outros projetos dividindo o calendário com atrações internacionais.
4 de setembro — Steve Angello abre a programação
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O primeiro dia estabelece imediatamente uma conexão com a história recente da música eletrônica de arena. Steve Angello, integrante do Swedish House Mafia ao lado de Axwell e Sebastian Ingrosso, leva ao New Dance Order uma carreira que atravessa progressive house, trabalhos solo e o repertório desenvolvido com o trio sueco. Sua trajetória ajuda a explicar parte da transformação da house music em fenômeno global de festivais nas últimas duas décadas.
A representação brasileira vem por caminhos diferentes. Cat Dealers, projeto dos irmãos Lugui e Pedrão, consolidou presença internacional a partir da cena brasileira; ATKÖ, novo projeto de Thiago Mansur após mais de uma década ligado ao JetLag, direciona sua pesquisa para house, Afro House, elementos tribais e referências brasileiras. Giu x Carola completa o dia com um encontro entre duas DJs e produtoras que fazem parte da geração recente da eletrônica nacional.
5 de setembro — house e tech house assumem a pista
No sábado, James Hype representa a vertente internacional do house e tech house que ganhou enorme circulação nos festivais e clubes dos últimos anos. O britânico construiu também uma identidade de performance baseada em técnica de mixagem e manipulação ao vivo, fazendo do próprio processo de DJing uma parte central de seus shows.
O Brasil responde com três propostas. Victor Lou é um dos nomes associados à expansão contemporânea do tech house brasileiro; Volkoder chega com uma trajetória internacional construída entre house e tech house; enquanto Camila Jun x Eli Iwasa reúne duas DJs com carreiras desenvolvidas a partir da cultura de clubes e da pesquisa musical. O encontro dá ao segundo dia um perfil particularmente orientado à pista. A formação dos quatro artistas está confirmada pelo festival.
6 de setembro — MEDUZA e SOFI TUKKER ampliam as fronteiras do eletrônico
O domingo apresenta uma das combinações mais acessíveis ao grande público. O trio italiano MEDUZA tornou-se um dos projetos de house mais reconhecidos da última década depois da projeção mundial de “Piece of Your Heart”, faixa que chegou a uma indicação ao Grammy. A partir daí, o grupo passou a ocupar simultaneamente festivais, clubes, rádios e plataformas digitais.
SOFI TUKKER, formado por Sophie Hawley-Weld e Tucker Halpern, trabalha em outra fronteira, cruzando eletrônica, house e pop com referências brasileiras. “Drinkee” rendeu à dupla uma indicação ao Grammy, enquanto Treehouse levou a uma nova indicação, desta vez na categoria de álbum Dance/Eletrônico.
O brasileiro Liu acrescenta ao dia uma abordagem conectada ao house e às linguagens eletrônicas de grande público. Já Casa Bonita, encontro de Brisotti & Viot, representa a produção nacional orientada ao groove e à pista. No mesmo dia, a dimensão eletrônica do festival ultrapassa o New Dance Order: Calvin Harris será o headliner do Palco Mundo.
7 de setembro — Fatboy Slim conecta gerações

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Poucos artistas no line-up permitem observar a evolução da cultura eletrônica com a perspectiva de Fatboy Slim. Norman Cook foi uma das figuras centrais da popularização do big beat nos anos 1990 e transformou faixas como “Praise You”, “Right Here, Right Now” e “The Rockafeller Skank” em referências que ultrapassaram as pistas. Décadas depois, continua circulando entre clubes e grandes festivais internacionais.
A programação do feriado também olha para diferentes momentos da cena brasileira. Aline Rocha representa uma geração de DJs brasileiras que vem ampliando sua circulação internacional, enquanto Leo Janeiro x Simo Not Simon conecta a experiência de Leo Janeiro na cultura de clubes carioca a um formato colaborativo. O norte-americano Max Styler, por sua vez, leva ao palco sua leitura contemporânea do house e tech house.
11 de setembro — ANNA lidera a noite eletrônica enquanto Alok ocupa o Palco Mundo
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A segunda semana começa com ANNA, uma das artistas brasileiras de maior projeção dentro do techno internacional. Sua trajetória passou dos clubes brasileiros para circuitos globais, ao mesmo tempo em que sua produção expandiu-se do techno para experiências ambient e trabalhos de caráter mais introspectivo. Essa dualidade entre pressão de pista e construção atmosférica tornou-se parte importante de sua identidade artística.
O restante do New Dance Order se aproxima do universo psytrance. Neelix & Vegas unem o produtor alemão Neelix ao brasileiro Vegas em uma apresentação conjunta; Omiki acrescenta outra perspectiva internacional ligada ao progressive psytrance; e Departamento completa a programação do palco.
Mas a eletrônica também estará no maior palco do festival. Alok apresenta “Keep Art Human” no Palco Mundo, espetáculo que prevê 1.500 drones — anunciado pelo Rock in Rio como recorde para um show na América Latina — e 45 bailarinos. O conceito está ligado ao movimento homônimo criado pelo artista para discutir o valor da criatividade humana diante do avanço da inteligência artificial.
12 de setembro — Alok transforma o New Dance Order em assunto de família
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Um dia depois de ocupar o Palco Mundo, Alok retorna em outro contexto: “Alok & Family pres. Rave The World” assume o New Dance Order. A proposta coloca sua trajetória dentro de uma narrativa mais diretamente conectada às raízes familiares na música eletrônica.
Essa origem aparece de forma explícita com Ekanta & Swarup, pais de Alok e nomes históricos da cultura trance brasileira. A programação ganha ainda Bhaskar, irmão gêmeo de Alok e artista com carreira própria construída principalmente dentro do house; Gabe, produtor brasileiro com longa ligação ao circuito de clubes e festivais; e Adam Sellouk, representante da nova geração internacional do melodic house e techno.
Mais do que reunir artistas relacionados pessoal ou profissionalmente a Alok, o dia cria uma linha entre diferentes capítulos da música eletrônica brasileira — das raízes do trance à expansão internacional alcançada pelas gerações seguintes.
13 de setembro — John Summit fecha o New Dance Order
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O encerramento fica a cargo de John Summit, um dos nomes norte-americanos que mais cresceram no house e tech house durante a primeira metade da década. Faixas como “Deep End”, “Human”, “Where You Are” e “La Danza” ajudaram a levá-lo do circuito de clubes aos principais festivais internacionais, mantendo uma linguagem que transita entre apelo de massa e referências da pista.
Antes dele, Illusionize leva ao palco a mistura de house, tech house e bass que transformou o goiano Pedro Mendes em um dos produtores brasileiros de maior circulação no segmento. Roddy Lima, por sua vez, representa uma geração mais recente do tech house nacional e já soma trabalhos como “Analog Ascent”, colaboração com Vintage Culture.
Completa o último dia o Dawn Patrol, projeto criado por Maz e Antdot, que no Rock in Rio incorpora também Riascode e Bakka. O encontro trabalha entre Afro House, Melodic House e Tech House e coloca quatro produtores brasileiros em uma apresentação conjunta, fechando a participação nacional no New Dance Order com uma das sonoridades que mais ampliaram sua presença internacional nos últimos anos.
O recorte eletrônico do Rock in Rio 2026 revela uma programação menos dependente de uma única vertente do gênero. Steve Angello e Fatboy Slim estabelecem pontes com momentos decisivos da internacionalização da dance music; ANNA representa a consolidação brasileira no techno; MEDUZA, James Hype e John Summit refletem diferentes movimentos do house contemporâneo; enquanto o número de brasileiros distribuídos pelos sete dias mostra uma cena nacional que já não aparece apenas como suporte aos headliners internacionais.
A presença de Alok em dois contextos consecutivos sintetiza essa mudança de escala. Em 11 de setembro, ele leva a música eletrônica ao Palco Mundo com Keep Art Human. No dia seguinte, retorna ao território específico da cultura de pista para dividir a programação com artistas ligados à própria história familiar e à evolução da cena brasileira.
O Rock in Rio 2026 acontece nos dias 4, 5, 6, 7, 11, 12 e 13 de setembro, na Cidade do Rock, no Rio de Janeiro. A programação completa, horários, informações sobre ingressos e atualizações estão disponíveis nos canais oficiais do Rock in Rio. Acompanhe também o tudobeats para notícias, entrevistas e cobertura da música eletrônica durante o festival.

