Encontro reúne dois percursos distintos da cena nacional e evidencia a diversidade que vem redefinindo a identidade eletrônica do país.
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Quando a Só Track Boa revelou a programação da sua próxima edição, um dos anúncios que mais despertou atenção foi o b2b entre Mochakk e Clementaum. Mais do que uma colaboração inédita, a apresentação coloca lado a lado dois artistas que representam trajetórias, públicos e referências bastante diferentes dentro da música eletrônica brasileira.
De um lado está Mochakk, um dos nomes brasileiros de maior projeção internacional nos últimos anos, com presença constante em festivais, clubes e temporadas em Ibiza. Do outro, Clementaum, artista que construiu sua reputação a partir das cenas underground e queer do Brasil, desenvolvendo um trabalho conectado ao funk brasileiro, ballroom culture, tribal house, guaracha e outras vertentes da música de pista do Sul Global.
A combinação surge num momento em que os grandes festivais brasileiros parecem cada vez mais interessados em aproximar universos que tradicionalmente ocupavam espaços separados. Em vez de reforçar divisões entre o mainstream e o underground, a proposta aponta para uma leitura mais ampla da diversidade que caracteriza a cena eletrônica contemporânea.
Natural do Paraná e radicada em São Paulo, Clementaum ampliou significativamente sua presença internacional nos últimos anos. A artista passou por cidades como Berlim, Barcelona, Madrid e Sevilha, além de participar de eventos e espaços reconhecidos da cultura clubber internacional, incluindo Berghain, Primavera Sound, Draaimolen e Unsound Kraków. Sua residência na Rinse FM também contribuiu para ampliar sua visibilidade junto ao público global.
Curta o set de Clementaum, exclusivo para o radio show Ibiza Series, da DJ Mag Brasil:
Recentemente, a DJ retornou de uma série de apresentações na Austrália e Indonésia e já prepara uma nova temporada europeia que inclui participação no Sónar, em Barcelona. No Brasil, sua agenda recente passou por eventos como Time Warp Brasil, Hopi Pride e agora a Só Track Boa. Asssita!
Segundo a artista, a proposta do b2b nasce justamente das diferenças existentes entre os dois percursos. Enquanto Mochakk se tornou um dos principais representantes brasileiros da house e do techno em escala global, Clementaum leva para suas apresentações elementos ligados à música de clube latino-americana, ao tribal house, ao ballroom e ao funk brasileiro.
O encontro também possui um significado simbólico dentro da evolução da cena nacional. Historicamente, festivais de grande porte e circuitos ligados à cultura queer nem sempre compartilharam os mesmos espaços. A presença dos dois artistas na mesma cabine sugere uma aproximação entre diferentes expressões da música eletrônica produzida no país.
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Essa diversidade tem se tornado uma das características mais relevantes da nova geração de artistas brasileiros. Se em outros momentos a exportação da música eletrônica nacional esteve fortemente associada a gêneros específicos, hoje o cenário apresenta uma multiplicidade de linguagens que incorpora referências regionais, ritmos periféricos, identidades culturais e influências latino-americanas.
Nesse contexto, a decisão da Só Track Boa de reunir Mochakk e Clementaum pode ser vista como um reflexo das transformações que vêm ocorrendo dentro da própria indústria. Ao promover o diálogo entre diferentes comunidades, o festival amplia a representação de uma cena que se tornou mais plural, complexa e conectada a diferentes realidades.
Independentemente do resultado artístico da apresentação, o anúncio já cumpriu um papel importante: gerar curiosidade num ambiente frequentemente marcado por programações previsíveis. Em um dos maiores festivais de música eletrônica do Brasil, um encontro improvável tornou-se também um dos mais comentados.

