A experiência do Dekmantel São Paulo 2017 não acabou.
“Um Festival para ficar na memória dos que foram e dos que ouviram falar. Foco no som, estrutura confortável, limpeza e uma sensação de que algo mudou.”
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Nicolaas Jaar em encerramento épico | Crédito Ariel Martini
Vamos começar do final. Como nos filmes, todos lembram do final, mais do que do meio, ou dos detalhes tão importantes do início. O final da edição 2017 do Dekmantel, que pela primeira vez foi realizado na cidade de São Paulo – e pela primeira vez fora da Holanda – teve como seu mestre de cerimônias um artista que é quase que uma unanimidade, quase, pois unanimidades são burras, mas não ele. Não Nicolaas Jaar, o mago que leva o público a uma dimensão paralela, a um encerramento épico de uma experiência, se não transcendental, ao menos inédita.
Na foto, vê-se apenas o contorno da figura de Nicolas Jaar. Sim, um ‘grand finale’ a noite com poucas luzes – a maioria vindo de trás do artista. O som conduz o público – que havia migrado de todas as outras 4 pistas para juntar-se àqueles que já participavam daquele momento – numa vibração que instigava dançar devagar, e rápido, intenso, e calmo, brincava com os sentidos e convidava todos a pensar no que haviam passado nos dois últimos dias. O evento tinha que acabar as 22h30. Não 22h25, não 22h35. Força da Lei. Faltam cinco minutos, a fumaça toma conta do palco, sobrevoa a multidão e através dela as luzes formaram um portal. Todos viram aquele portal mágico espiralado, aquela imagem inesquecível. Viram aquilo que já estavam sentindo, o som marca, aquele momento é único, olho a minha volta, amigos sorriem, estamos felizes. Ao fundo do palco, beeem longe se vê um prédio com um relógio digital que marca 22h30. Hora de partir. Para o after na Fabriketa, claro 😉

22h31 – Crédito Ariel Martini
São Paulo, 04 de Fevereiro de 2017.
Por Nazen Carneiro, Kaka Franco e Marcelo Campos
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Há muitas coisas a serem ditas sobre o Dekmantel. Acredito firmemente na tendência de outros festivais de porte menor buscarem se adaptar a nova realidade de um Festival Premium: Bares sem filas, banheiros limpos, estrutura confortável, cerveja gelada, atitudes razoáveis e amigas da organização – como a distribuição de capas de chuva para que as pessoas não precisassem deixar a pista no primeiro dia. Tudo isto, acrescentado de um line up conciso, com sets de extensões boas, onde você realmente pode estar em contato com o trabalho atual do artista, Tudo dividido em cinco pistas, cada uma com suas particularidades. O local escolhido também trouxe valor ao festival, o visual da pista principal, ao lado da pista de corrida dos cavalos, ofereceu uma vista deslumbrante da cidade cidade de São Paulo. Gente de vários estados estavam lá, de vários backgrounds, tribos. Meu! O Hermeto Paschoal – a lenda brasileira que tira som de qualquer objeto – estava lá.
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Hermeto Pascaol | Créditos Ariel Martini
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A fim de captar diferentes perspectivas convidamos dois artistas que estavam presentes nos dois dias para contarem ao TUDOBEATS suas impressões e experiências com o Dekmantel: Os DJs Kaka Franco ( Hot Legs) e Marcelo Campos (Alter Disco)
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Kaka Franco. 2016
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Festival que veio realmente para quebrar regras no Brasil, sem filas, bebidas geladas, atendimento educado e com sorriso no rosto, demonstrando que o público era bem-vindo ali. Esse cuidado de investir no que realmente era funcional, ficou marcado. Decoração sem exageros, de muito bom gosto, tanto na escolha do Jockey Club quanto a disposição das pistas, banheiros e limpeza. Não precisava andar grandes distâncias para curtir outro ambiente e mesmo assim o som de um stage não interferia no outro.
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Quanto aos artistas, já começou pela bela curadoria, ousada e impecável, nas pistas a resposta confirmou e tive a sensação que os brasileiros reconquistaram seu espaço, me lembrando os primeiros Skol Beats, onde os brasucas eram bem inseridos no line up e tiravam todo respeito que mereciam dos gringos, Dekmantel soube resgatar isso muito bem. Outro ponto que me chamou a atenção foi ver os organizadores alegres e leves, atendendo os amigos sem esboçar sobrecarga, sem correria.
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Vamos então as apresentações que me chamaram atenção, sem dúvidas Hermeto Pascoal, imaginei mesmo que seria algo estupendo, agora a surpresa foi ver que os integrantes da banda são de habilidades incríveis, mas sem roubar a cena do outro, equilíbrio e perfeição incrível, ao mesmo tempo tive que correr pra assistir moodymann, um stage lotado dançando um som leve, sem data, sem idéia pré concebida, sem empurra empurra, emocionante! No dia anterior Jeff Mills marcou realmente a noite, mas tive que ficar imaginando o que ele estava fazendo com a TR 909, acho que faltou um telão mostrando ele e o manuseio do setup. Anthony Parasole deu as boas vindas pra muita gente na pista UFO, geralmente todo mundo chega cheio de energia e já de cara um Techno “buraqueira” foi certeiro para levantar o esqueleto.
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“Muito se defende que no Brasil não tem estrutura para comportar algo com nível de festivais renomados pelo mundo, confesso que esse argumento havia me comprado, hoje não mais.” Kaka Franco
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Marcelo Campos, fundador e DJ residente Alter Disco
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Fui convidado pelo TudoBeats para relatar a minha impressão do festival DEKMANTEL, foi a primeira vez do evento no Brasil, que aconteceu com a parceria coletivo paulista Gop Tun.O Festival rolou no Jockey Club da cidade de São Paulo, no fim de semana de 04 e 05 de fevereiro, e contou com um line-up tão diversificado e rico que com certeza significa muito e de forma múltipla para cada um que lá esteve. De artistas como Hermeto Pascoal à Nicolas Jaar. Um evento sem precedentes na cena musical do Brasil, e algo que na minha opinião há muito fazia falta.
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Nicolas Jaar (photo credits Ariel Martini)
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Todo o pessoal envolvido com a curadoria e produção do festival está mais do que parabéns, foi realmente uma honra ter participado do evento. É importante frisar que as minhas palavras não são em nenhum sentido críticas, mas sim um contemplamento de uma cultura que ao meu crer diz muito sobre a nossa sociedade, assim como transcreve muito bem a perspetiva moderna e urbana de artistas que tenho muito apreço.
Primeiramente devo dizer que esta narrativa não é uma tarefa simples de ser exposta, pois sinto-me na obrigação de preencher toda a vivacidade de ritmos (house, techno, disco, funk, boggie e música brasileira), a coerência pela qual o a curadoria compôs o festival no seu todo e o impacto que o festival teve em mim como um amante (aficionado) de música.
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Nina Kraviz (Gabriel Quintão)
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Feito a devida introdução, começo a conotação sobre a minha vivência em loco, que seguirá de forma retrospectiva, num sentido de traz para frente, das últimas para as primeiras, em relação as apresentações. O festival era dividido por cinco palcos: Main, Selectors, UFO, Gop tun/ Boiler room e Red light radio x Na Manteiga. Num festival com tantos palcos fica complexo presenciar tudo, o tempo estimado em que estive em cada performance foi de 30min à duas horas.
Nicolas Jaar foi último artista que presenciei, sua performance foi no palco principal (main), no segundo dia do festival. Talvez um dos nomes mais conhecidos do festival, o chileno fez uma apresentação sem igual, incontestavelmente muito apropriada para o fechar o festival, um som com vários altos e baixos, oscilações de batidas por minuto (bpms) e ritmos diversificados. Foi a terceira vez que vi o artista, e a sua música cheia de ruídos delicados sôou nitidamente muito bem para todos que lá estavam.
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Dekmantel Soundsystem (Gabriel Quintão)
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Antes do Nicolas Jaar estive por vários palcos, vi Call Super, Ben UFO b2b Joy Orbison, PalmsTrax, Huerco S e Moodyman: Call Super presenciei brevemente, foi a única apresentação que vi no palco UFO, um dos menores palcos do festival, palco compacto numa locação deslocada, os mais audaciosos poderiam dizer que era um palco secreto. Gostei do som do britânico, apesar de ter presenciado pouco, gostaria de ter outra oportunidade para vê-lo e poder devidamente experimentar a sua proposta sonora.
O som do Ben UFO b2b Joy Orbison estava forte e sólido, não menos envolvente, mas outra pegada, um som mais cinza, transpondo perfeitamente a tonalidade. O b2b foi na pista dos seletores (selectors), pista que era o elo de várias outras no festival, pois ficava ao redor de outras.
Em contraposição, preciso abordar as cores do PalmsTrax, como sempre um som muito agradável, com a sua pegada única ao colocar uma música sensível, mas com batidas que deixam muito som pesado pra trás. Seu som rolou no palco Gop tun/ Boiler room, a pista estava com uma energia muito forte, muito pra cima respeitando a cadência de harmonias e melodias cheia de cores, impostas pelo Palms. Na verdade, pra falar devidamente, estava uma pista leve, feliz e envolvente.
Huerco S, tocou um som com ritmos de percussão hipnotizantes, com sintetizadores bem marcados com notas longas. Foi interessante, pelo menos foi esse o trecho que vi, peguei o fim da apresentação, logo após a apresentação de Moddyman.
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TUDOBEATS
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A irreverência, o bom humor e a boa música soaram na apresentação do Moodyman. Foi o primeiro artista que presenciei no segundo dia do festival. Eu e vários amigos estávamos ansiosos pelo seu som da lenda do groove. Moodyman com seu visual único, mandou o seu som bem eclético, passando pelo disco, house, boggie e techno. E de tempos em tempos o artista, que é natural de Detroit, conversava com público que o recebia de braços abertos.
No primeiro dia do festival, presenciei Jeff Mills, Sassy J , Juju & Jordash e Kornél Kovácks. Sobre esse dia, preciso começar a exposição com uma pequena história:
Estava conversando com um amigo durante a apresentação da Nina Kraviz no palco main, mas não estávamos lá para assistir a Nina, nada contra ela, até já vi o seu mix numa outra oportunidade (e gostei bastante na época), porem tínhamos chegado já para nos prepararmos para a apresentação da lenda do techno de Detroit.
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Palms Trax (photo credits Ariel Martini)
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E durante a nossa conversa, eu comentei: “Esses hats e claps estão fortes em! ”, a atmosfera desse comentário foi aumentando até que nos temos conta que Jeff Mills estava no palco. Pra quem não conhece Jeff Mills faz um som que pode ser tido como um techno clássico, um som forte articulado com mixagens e uma drum machine emblemática para o techno, a TR909. Foi uma apresentação que passou muito a sensação da experimentação de algo com uma força artística da maior importância, a tida catarse.
Em vários momentos o público tinha a certeza de que o som apresentado era de uma grandeza sem igual, parecia que a plateia reagia com muito respeito para o que estava soando, e o que o maestro regia era uma chuva de ritmos, houve inúmeros momentos da performance em que tudo que soava era apenas ritmos da TR 909 do Jeff. Entretanto, houve um momento em particular que me marcou muito, Mills fez a sua quebrada exclusiva unicamente de ritmo, porem quebrando o som com muita qualidade e unicamente com frequências agudas, e quando voltou com as frequências graves, voltou de maneira singular, mixando frequências graves alem do BassDrum.
Baixos que deram um peso próprio e único, um grave capaz de preencher o tempo todo em que não se ouvia as frequências baixas, realmente algo muito impactante – fiz questão de deixar este parágrafo maior, na tentativa de fazer aquele grave soar neste texto.
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Jeff Mills, the Boss =D
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Sinto que Jeff Mills foi o artista que mais me impactou no festival, outro artista do techno, Richie Hawtin, já comentou que o seu primeiro álbum: “Sheet one” foi feito no intuito de tentar reproduzir o que o artista tinha presenciado em uma performance de Jeff Mills, creio que entendi o motivo inspirador.
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Shanti Celeste (photo credits Gabriel Quintão)
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No palco Gop ton/ Boiler Room fui conferir a convide de amigos o som da Sassy J, não conhecia a artista, mas já na primeira música senti que o convide tinha sido perfeitamente posto, um som macio, recheado de músicas épicas, quando começou a clássica Keep The Fire Burning de Gwen McCrae, foi o ponto auge da pistinha e tive certeza de que estava no lugar no certo.
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Red Light Radio x Na Manteiga Radio (photo credits Ariel Martini)
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Após um período conturbado pela chuva a dupla Juju & Jordash começou o seu live no palco principal (main), foi um som muito pleno, um live conciso, soa com muita naturalidade, em alguns momentos foi incrível pensar que era um live, a dupla é muito alinhada, domina o que faz com propriedade.
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Palco Gop Tun
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O primeiro artista do festival que assisti foi o sueco Kornél Kovácks. Gosto muito do som do artista, a pista estava bem envolvida com o seu som. Os ânimos de todos pareciam muito dispostos ao festival que estava por vir, tanto o é, que mesmo com a chuva, várias pessoas se molharam ou foram atrás de capa de chuva para poderem curtir o som mais próximas da caixa de som ou mesmo dançar melhor.
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Young Marco (Gabriel Quintão)
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Cheguei a cruzar o artista sueco(Kornel) no festival, trocamos algumas palavras e nos abraçamos, digo isto apenas para concluir as minhas palavras sobre o evento, pois em todo o meu percurso do festival estive com vários amigos: pessoal da Alter Disco e várias outras pessoas de Curitiba, todas muito apaixonadas pelo o que estava acontecendo, dava pra sentir. Não presenciei nenhuma briga, nenhum contratempo no festival, foi tudo perfeito, o única coisa que faltou foi mais tempo pra ver alguns artistas mais propriamente, mas tudo bem, que venham outras oportunidades.

Lena Willikens (photo credits Gabriel Quintão) Uma das mais esperadas pela galera do tudobeats, Lena Wilikens tem um som bem característico e experimental. Na pista UFO comandou um techno ensurdecedor e kickante!
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