ESPECIAL

ADE’17: Amsterdã prepara-se para receber mais uma edição da maior conferência do segmento

Daqui duas semanas Amsterdã receberá mais uma edição do Amsterdam Dance Event, maior conferência de música eletrônica do mundo. 

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A capital holandesa Amsterdã recebe todos os anos a pelo menos duas décadas um evento que comporta conferências, festas, workshops e muitos eventos especiais relacionados a música eletrônica. O ADE é um daqueles eventos indispensáveis para profissionais da área e igualmente inesquecível para qualquer amante de eletrônica.

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A Conferência

A múltipla lista de conferências oferece uma excelente fonte de inspiração profissional além de uma plaraforma de negócios dentro da indústria da música eletrônica, inigualável no mundo. A programção é especial para os profissionais da área, start-ups, produtores aspirantes, músicos, estudantes, VJs, artistas visuais entre outras especialidades. No ano passado foram 550 palestrantes e 7000 delegados.

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O Festival

O programa das noites do ADE cobre todo um espectro de subgêneros de eletrônica, com mais de 2.200 artistas a se apresentar em 120 dos melhores espaços da vida noturna de Amsterdã. Em 2016 o festival atraiu 375.000 visitantes de todo o mundo à cidade, o que faz deste o maior festival de clubs do mundo.

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Playground

O Playground ADE oferece entretenimento, engajamento e bastantes surpresas para as legiões de fãs de eletrônica visitando a cidade. Durante a maioria do tempo livre durante o dia o programa inclui uma série de exibições musicais, filmes, documentá, DJ showcases, aulas de produção e discotecagem, todos usando locações históricas e locais únicos na cidade e no seu entorno.

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A fim de descobrir a riqueza do do ADE em ambas as perspectivas o TUDOBEATS convidou duas pessoas para contarem suas experiências: O DJ Produtor Rafael Araújo e Eliezer Brandão, fã da eletrônica.

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Por Rafael Araújo

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Se você gosta de música eletrônica, vive a música eletrônica, consome, escuta, come, escova os dentes, acorda e dorme ouvindo música eletrônica você deve ir para Amsterdã, na Holanda, em Outubro pelo menos uma vez na vida para conferir de perto o Amsterdam Dance Event.

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Trata-se de uma semana inteira dedicada à arte, cultura e técnica que envolve o universo da música eletrônica em uma das cidades mais fantásticas da Europa. A cidade holandesa incorpora completamente o evento, são banners amarelinhos do ADE espalhados por toda a cidade. A conferência é de proporção gigantesca e acontece em diferentes partes da cidade.
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É incrível ver como o povo holandês convive harmoniosamente com a cultura da música eletrônica. A maioria dos maiores DJs do mundo são de lá. A cultura da música eletrônica já faz parte da vida dos holandeses, assim como a cultura do samba / carnaval é para nós. Eles são os maiores geradores de artistas mundialmente conhecidos. E é por isso que o ADE é tão bacana e interessante de se ir pois ele acontece justamente neste ambiente fascinante.
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Imagine uma semana inteira onde os maiores key players do mercado mundial se encontram. Painéis, debates e workshops com os maiores nomes da cena. Uma conferência de altíssimo nível, abordando os temas mais atuais do mercado e  trazendo as últimas novidades tecnológicas no mundo dos DJs e da produção musical, assim como novidades em tecnológicas em aplicativos voltados para a parte de eventos, marketing e qualquer coisa que esteja relacionado à e-cultura.
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Falando em eventos, na parte das festas, uma semana non-stop de baladas e mais baladas. De dia, de noite. Alguns clubs rodam 24h em Amsterdam. Você pode ter a chance de ver os maiores nomes da música eletrônica tocando, assim como ali do seu lado curtindo uma balada incrível em uma boat party, as festas que acontecem nos barcos pelos canais da cidade.
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Prepare-se e tenha a certeza de que todos os anos em Outubro, o mercado da música eletrônica mundial tem um endereço certo. The Netherlands.
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por Eliezer Luigi Brandão

 

Meu nome é Eliézer Luigi Brandão, tenho 28 anos, sou advogado e fui na ADE 2016. Como estava em minha primeira Eurotrip, tive que conciliar programas turísticos com a programação do evento, então minha estadia, além de corrida, teve que sacrificar algumas atividades em cada programa para ser proveitosa em todos os sentidos.

 

Sua impressão ao chegar na cidade pela Centraal Station é um baque: ESTOU AQUI! Saindo da estação feita de vidro, você logo dá de cara com incontáveis bicicletas estacionadas e um dos vários canais artificias da cidade. A arquitetura e organização da cidade são únicos. Despertam a curiosidade em sabermos como foi possível construir tudo aquilo em situações geográficas tão adversas. Encantadora, Amsterdam é completa e tem espaço tanto para programas de solteiro, quanto para quem vai acompanhado e prefere fazer passeios a dois.

 

Para o ADE, praças são decoradas e recebem quiosques de informação e bandeiras são colocadas ao longo dos canais, sem contar os outdoors e demais propagandas relacionadas ao evento.

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Por não ter a música eletrônica como minha profissão, fui aos locais das conferências, mas não participei dos painéis, pois o preço, cerca de 500 euros, não era acessível para os frequentadores regulares. O que posso destacar da minha experiência desta parte do evento foi a inclusão e oportunidade para os desenvolvedores. No hall, Roland, e seus equipamentos completos de última geração, dividia atenção com sintetizadores analógicos, ainda em teste, produzidos por um grupo de iniciantes. Todos os equipamentos estavam à disposição para o público testar e sempre havia alguém para atender e explicar o produto exposto. O que me chamou atenção também a MR 808  foi um equipamento interativo, em que instrumentos reais eram colocados em uma caixa gigante para o público interagir e produzir sua música na hora.

 

A questão dos preços se repetem quanto aos Tickets. Os eventos (baladas) são geralmente muito caros para a média europeia, o que acaba fazendo você ter que selecionar bem aos quais irá comparecer. As baladas gratuitas existem, mas são difíceis de encontrar no site do evento. Nas ruas, não há DJ tocando (achei que a cidade toda estivesse envolvida por esta atmosfera ADE), mas durante o dia você pode encontrar apresentações em alguns coffeeshops e lojas da cidade.

Como no Brasil a cena eletrônica é muito forte e, felizmente, eu já havia presenciado apresentações de grande parte dos principais artistas, optei por fazer algo diferente nas duas festas pagas em que pude ir.

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A primeira foi a 1984 Night Arcade. Uma festa synthwave, completamente diferente de tudo que eu já havia presenciado por aqui. Os principais artistas do estilo reunidos em um evento com temática retro. O destaque da noite ficou por conta de TIMECOP 1983, o qual fez jus à fama de ser um dos maiores representantes da sena synthwave mundial. Já a surpresa da noite ficou com o SUNGLASSES KID, que, confirmado de última hora após o infeliz cancelamento do DANCE WITH THE DEAD, trocou a leveza do seu som de estúdio por uma pancadaria oitentista que não economizou nos sintetizadores. Como nem tudo são flores, a parte negativa da festa foi o fato de não haver fila diferencial para quem comprou ingressos antecipados, o que me fez passar mais de uma hora na fila de entrada e perder o início da atração principal (timecop 1983).

 

A outra festa foi a DOCKYARD. Sem dúvidas é o evento principal do ADE e reuniu 5 palcos dentro do porto de Amsterdam. O evento já começa a passar uma boa impressão na chegada, com o fato de você ter que pegar um ferry boat na centraal station para chegar no porto da cidade. Lá, você dá de cara com o grafitti da Anne Frank, feito pelo brasileiro Kobra, no caminho do evento. Dentro do evento, minha expectativa para a estrutura era bem maior. Acreditei que teriam galpões, cenários industriais, etc., mas cada stage não passava de uma tenta de circo, uma do lado da outra, sem qualquer temática relacionada às docas, apenas iluminações.

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Quanto aos artistas, todos de peso (imagemline), mas repetiram a mesmice dos stages em suas apresentações, uma vez que o techno e o tech house foram quase que unanimidades, com linhas que não traziam diversidade cultural capaz de enriquecer a experiência de quem foi a um festival esperando ver o que havia de diferente mundo afora. A mim, me pareceu que os artistas não saíram da zona de conforto, o que foi percebido pelos frequentadores da festa, que só se animavam em situações pontuais. A nível de organização, decoração e, principalmente, qualidade e variedade sonora, posso afirmar com segurança que os eventos brasileiros, em especial a TRIBALTECH (que se aproxima de mais uma edição e fez história com sua lendária REBORN de 2014) estão muito afrente da tão falada DOCKYARD.

 

Algo que me surpreendeu foi a informação pública acerca do uso de substâncias sintéticas. Na Holanda, assim como no Brasil, estas substâncias são ilícitas, entretanto tanto o governo quanto a organização do evento sabem que, independentemente da efetividade desta proibição, estes eventos podem receber usuários. Pensando nisso, a organização do festival espalha cartazes informativos sobre os riscos do uso desta substância e como proceder no caso de algum amigo ou frequentador do evento passar mal. Já o governo, adota como política pública a permissão de que o usuário leve uma amostra da substância adquirida a laboratórios, os quais, por cerca de 7 euros, testam e lhe informam sobre seu grau de pureza e nocividade.

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Para todas as informações do evento acesse www.a-d-e.nl

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