ENTREVISTA EXCLUSIVA

Dekmantel São Paulo: Entrevista Exclusiva com DJ Tahira

Versatilidade e pesquisa de som variada são marcas deste DJ brasileiro admirado dentro e fora do país. Antes de sua apresentação no Dekmantel Festival São Paulo, o Tudobeats bateu um papo DJ TAHIRA.

 

 

 

O DJ , pesquisador musical e dono de vários re-edits e remixes que com toda certeza você já escutou nas festa por aí, já levou seu sets de misturas rítmicas para varias regiões do Brasil e também para o exterior em suas turnês à fora. Sempre aliando técnica a um bom repertório, Tahira traz nos seus sets uma mistura de influências africanas, latinas, brasileiras, funk e soul music. Começou a tocar através dos famosos campeonatos de DJs e atualmente ganhou o publico com suas produções como o remix de “Toda Menina Baiana”.

 

Por: Taty Camps

 

TUDOBEATS: Atualmente sua pesquisa musical está focada no que? Quais os estilos, países e épocas músicais têm chamado mais sua atenção?

DJ Tahira: Eu tenho pesquisado a diversidade musical que existe no Brasil. Estilos que não são muito conhecidos pela maioria.
A Africa sempre foi referencia de minha pesquisa musical. Seja ela mesclada na musica brasileira, na latina ou ela própria. É um mundo de informações e sons. Não estou nem na metade dela. Não tenho limitação de época só evito quando começa a se misturar muito a música americana tradicional. Prefiro ela pura sem influencias. 

 

TUDOBEATS: Como pesquisador musical e conhecedor da historia da música brasileira em suas diversas fases, você acha que atualmente quem consome música num todo passou a ter mais carinho pela cultura brasileira e seus elementos ?

DJ Tahira: O mundo todo está um pouco cansado da musica americana. Por isso cada vez mais os produtores tem buscado influencias em outros continentes. Asia, Africa, America do Sul e por ai vai. Por consequência a musica brasileira acaba sendo um pouco mais ouvida também.

 

 

 

TUDOBEATS: Você acha que a musica eletrônica, a cena de DJ e produtor musical que nos temos hoje em dia foi/foram um fator para quebrar algumas barreiras da música brasileira principalmente falando de música de outras regiões do Brasil além da região Sudeste?

DJ Tahira: Não acho. Quase ninguém da cena eletrônica (resumindo p cenário House/Techno) faz musica com elementos brasileiros fora do eixo Sudeste. O único que faz isso muito bem é o Carrot Green. Outros legais também, mas não sei se consigo classifica-los na cena eletrônica são Kurup, Salvador Araguaya, R Vincenzo, Tide, Ubunto, Furmigadub, Chico Correa e mais alguns que agora não me lembro agora.

 

TUDOBEATS: Qual sua opinião sobre o Line dos festivais aqui no Brasil? Acha que deveria ser mais eclético para que todxs tivessem a oportunidade de se chocar com coisas novas?

DJ Tahira: Não gosto de festivais que só tem DJs de batidas 4×4 (Disco, Boogie, House ou techno) . Não existe ecletismo nisso. E o ecletismo tem que vir tanto da novidade quanto do passado. Tem tantos estilos e artistas novos e tradicionais para se explorar. Uma pena não ter isso muito difundido no Brasil. Um país tão diverso como o nosso. De um público tão misturado merece algo mais de acordo com nossa realidade. 

 

TUDOBEATS: A supervalorização e a hierarquia dos Estados do Sudeste brasileiro não é novidade, isso tanto no exterior quanto para os próprios brasileiros. Você acha que esse problema histórico/social interfere também na área dos músicxs? Você acha que por ser Paulista você teve mais oportunidades para apresentar seu trabalho do que outrxs DJS de outras regiões do país?

DJ Tahira: Não pelo contrário. Acho que vem vive fora do eixo Sudeste tem muito mais a mostrar ao mundo sobre novidade sonora. O sudeste quer ser sempre estrangeiro. Isso na verdade é o que estraga. Sempre fazendo o que está na moda. A autenticidade existe fora desse circuito. Aqui as pessoas tentam copiar o gringo sem muito sucesso. Eu toco muito som de produção nacional independente há mais de 10 anos. A maioria dos produtores são de fora do Sudeste.

É lógico que existe exceções como tudo. E graças da Deus que elas existem. Meu ponto é com a tecnologia todos estão no mesmo nível e tem a mesmas oportunidades. Mas fora do sudeste o respeito pela musica local é muito maior e mais apreciada. A possibilidade de se criar algo inédito musicalmente é muito maior. 

Tudo que eu faço é via internet. Informção. Contatos. Independente se eu esteja no sul ou no norte. Isso graças a tecnologia.

 

TUDOBEATS: Você acha que a nova cena de festas tanto de São Paulo quanto do Brasil, mais voltada para as festas de rua e de coletivos, tem influenciado na maneira como o público vê xs DJs, isso é, em procurar sons mais autênticos e ecléticos? Você nota alguma mudança tão radical quanto antigamente na época em que o DJ passou de um tocador de discos para uma atração?

DJ Tahira: Eu toco em festas de rua desde o começo dos anos 2000. Bem antes dessa moda. Na rua o som tem q ser mais diverso. Afetar diversas camadas sociais e as diferentes pessoas que estão ali dançando. Do reggae, passando pelo Hip Hop, musica brasileira, latina, africana, funk, soul, jazz, Disco, House, Techno e breakbeat. Uma pena que pouquíssimos DJs sabem fazer isso.

 

TUDOBEATS: O que o público pode esperar da sua apresentação no Dekmantel daqui a duas semanas?

DJ Tahira: Como minha pesquisa tem sido a Africa e suas influências no Brasil e no mundo provavelmente vai ser algo por ai. Mas não sei direito. Não faco set decorado. Vou interagir com quem estiver na pista e vou criando meu caminho sonoro na hora.

 

” Escolhemos as músicas e artistas que gostamos, divulgamos os projetos em que acreditamos. “

.

_______________________

” A cultura eletrônica e o mundo do entretenimento vistos através de artigos, matérias e entrevistas com artistas, produtores e diversos profissionais chave do Brasil e do Mundo.

TUDOBEATS é uma marca da NZPR.

.

Relações Públicas para a Indústria do Entretenimento



As mais lidas

To Top